2.09.2011

O primeiro dia do resto de nossas vidas

Não sei exatamente o motivo, nem se existe uma explicação convincente pra isso, mas acho que todo mundo fica meio diferente quando a data do seu aniversário se aproxima. Quem aí não fica ao menos um pouquinho mais pensativo e faz um apanhado geral do que foi a sua vida até agora? Bom, se vocês não fazem isso, eu faço.
É como se rolasse uma retrospectiva, com todos os momentos da sua vida e com uma fidelidade de fatos que dificilmente poderiam ser contados por uma pessoa melhor do que você. Não pra menos. Você é ninguém mais, ninguém menos que o roteirista, o diretor e a estrela principal desse filme. Da sua vida. E essa tal vida, pode até não parecer, passa rápido demais. Na verdade, ela voa!

Acho que quase sempre estamos tão ocupados e preocupados em viver, que não somos capazes de perceber tudo aquilo que vivemos num dia, num mês, num ano, numa vida.
É fantástico como a nossa mente pode nos fazer viajar no tempo instantaneamente.

Apenas um flash, e eu me recordo de todos os meus brinquedos, da primarada, das brincadeiras na rua, o futebol de botão, mamãe me arrumando pra ir à escola, da ansiedade na noite de Natal à espera dos presentes, do sorvete diário com meu pai na volta da escola, da vitrola tocando, do pão com ovo na lancheira na hora da merenda, do sagrado e divertido banho de chuva no meio da rua, de andar descalço e brincar com os cachorros no quintal, de voltar pra casa todo “ralado” após as quedas de bicicleta, da “manja” ou “barra-bandeira” no meio da rua, de ficar trancado no quarto apanhando pra aprender a tocar violão, da garota mais bonita da rua, do frio na barriga com primeiro beijo, de ir pro cinema com a namoradinha, das aulas de inglês, de ficar de recuperação pela primeira vez na vida, do medo de trazer o boletim vermelho pra casa, do primeiro diploma, de mudar de escola, de ficar na rede vendo e ouvindo a chuva pela janela, de ficar com a cara enfiada nos livros, das “peias” que levei de meu pai e minha mãe, do primeiro show com a banda na escola, da primeira de tantas namoradas, da primeira transa, de experimentar cigarro e odiar, do primeiro de tantos porres, do busão lotado indo pra faculdade bem cedinho, dos meus melhores amigos, do futebolzinho no sábado, dos lugares que trabalhei, de todas as viagens pelo mundo, do sítio em janeiro, de pular do barranco pro rio, de pescar, de não ganhar nada nas quermesses e bingos das festas juninas, dos parquinhos e suas rodas gigantes, de todas as felicidades que o amor trouxe, de todas as tristezas que o amor trouxe, das pessoas incríveis que conheci e nunca esquecerei, de cantar, de ficar à toa vendo filmes, das baladas, dos encontros, dos desencontros, eu tudo que tive fé, em todas as coisas que me desiludiram, nas grandes mudanças, nas pessoas que confiei e me traíram, no Flamengo sendo campeão, de passear nos parques, de chorar sozinho no escuro, de pular de felicidade, de gritar de raiva, de ver a neve pela primeira vez, de ter uma empresa, de ganhar prêmios, de ficar falido sem um tostão, de cair, levantar e seguir em frente, de casar com a minha esposa linda, de comprar uma casa, de mudar, de querer, de sonhar e seguir...

É, queridos... A locomotiva do tempo não para. Apenas aporta momentaneamente em algumas estações, mas invariavelmente, sempre segue em frente. Quanto a nós, passageiros, nos resta aproveitar, e muito bem, essa jornada chamada vida que, com todos os seus momentos, é a coisa mais fantástica que o ser humano pode experimentar. Façamos então, cada dia, ser o primeiro do resto de nossas vidas.