12.29.2005

Fechado para balanço

Lá se vai mais um ano... e assim, mais uma etapa da vida se concretiza. Lembro-me bem, como se fosse hoje... Faz tão pouco tempo e o relógio marcava 00:00h de 01 de janeiro de 2005. Os olhos cheios de lágrimas e um coração apertado, sofrido, mas ainda assim, desejando todas as coisas boas para mim e para as pessoas que amava. Uma profusão de sensações. Alívio por tudo que havia passado, alegria por ter superado as maiores dificuldades que me haviam sido impostas até então, e alegria por ter a chance de continuar na batalha diária que se chama viver.

Naquele momento, desejei construir mais coisas, valorizar mais determinados momentos, sorrir mais, dizer mais vezes o quanto algumas pessoas eram importantes pra mim, quis tomar o mundo, esperei ser mais feliz, sonhei com oportunidades que não tive, jurei não sentir nunca mais rancor, prometi ser melhor e melhor, disse que faria mais amizades, que cuidaria mais de mim, que seria mais presente na vida da minha família e dos meus amigos, jurei lembrar de Deus em todos os momentos e não apenas quando estivesse encrencado, iria brincar com meus cachorros, ler mais livros, ir mais ao cinema, tomar mais sorvete, ficar de bem com a vida, quis fazer tudo ao mesmo tempo agora... e era só op início do ano.

Hoje, e como se fosse um piscar de olhos, 2005 está terminando e 2006 está prestes a começar...

Acho que consegui ficar no saldo positivo, e pra mim, isso é muito importante.
Tenho sim o hábito de fazer um balanço geral de todos os meus defeitos e virtudes. Na minha opinião, travamos sempre uma batalha feroz entre o bem e o mal que existem dentro de nós. Acredito que assim cada um pode, fazendo sua parte, melhorar um pouco mais esse mundo louco em que vivemos. Tornar as coisas um pouco melhores para si mesmo e pelo menos pras pessoas que nos são próximas. Não quero estagnar, ficar parado no tempo achando que já cheguei no meu limite. Prefiro expandir o tal limite. Assim, dá pra melhorar nem que seja um pouquinho a cada ano.

Talvez seja uma grande ilusão conseguir colocar em prática tudo o que planejo para o próximo ano, mas se eu conseguir, nem que seja dois ou três itens do que acho importante melhorar, tenho certeza que vou estar no caminho certo e pra mim já vai estar bom.

Vou ficando por aqui. Ainda tenho muitas coisas pra colocar na balança e o tempo não espera muito. Ano que vem, a gente vê o que eu consegui.


Um grande abraço a todos e um super 2006 pra vocês. Deixo meus maiores desejos de que tudo de bom aconteça nas nossas vidas no próximo ano que se inicia.

12.13.2005

Você se comunica, ou se trumbica?

Somos seres sociais, não dá pra fugir à esta regra. Tá bom que às vezes queremos ficar um pouco a sós, curtir a nós mesmos, mas chega uma hora que a necessidade de interação com outras pessoas fala mais alto.

Precisamos nos comunicar com os outros, mas será que sabemos fazer isso da forma correta? A comunicação é a grande responsável pelo rumo que damos à nossa vida. Nossa felicidade depende da nossa forma de comunicar, da troca de informações que estabelecemos com todos que nos cercam e, principalmente, da busca conjunta pelo entendimento.

As maiores divergências e obstáculos que enfrentamos, decorrem quase sempre da falta de entendimento, do diálogo insuficiente, das lacunas de comunicação que deixamos acontecer ao longo do caminho.

Somos nós (com nossas necessidades, suas vontades e caprichos)e o mundo (composto por tudo e todos que nos cercam diariamente), em constante intercâmbio, interagindo em busca da felicidade, aprendendo a reduzir ao máximo as diferenças em prol da felicidade comum. Aí está o grande desafio: entender o mundo e conseguir se fazer entender por ele. Para tanto, é imprescindível estar disposto e exercitar constantemente o diálogo.

Mas atenção! Nada de impor ou aceitar a imposição de idéias!

Entendimento e consenso é o que se deve buscar durante o processo. Isto é a prova de que somos capazes de amadurecer e minimizar as coisas que nos fazem infelizes. Quando amadurecemos, melhoramos a nossa capacidade de dialogar. E amadurecer não tem absolutamente nada a ver com idade. Trata-se muito mais de experiência, de educação e de encarar a vida sob outro prisma. É despir-se cada vez mais das atitudes egocêntricas e das idéias egoístas que povoam a nossa mente na maior parte do tempo.

Tudo fica melhor quando melhora o diálogo. Pense nisso quando for conversar com alguém.

E como dizia o Velho Guerreiro: "Quem não se comunica, se trumbica..."

11.28.2005

Exagerado, com mil rosas roubadas...

Não sei porque, mas hoje em dia, parece que as pessoas têm medo do amor...

Êpa! Eu não! Não tenho mais tempo pra deixar de amar! Sei lá como vai ser o dia de amanhã?! Já perdi preciosos minutos da minha vida com bobagens, brigas e coisas tão insignificantes. Estive com tantas pessoas que não souberam me dar o devido valor.... passei por tantas situações que me roubaram um pouco de mim mesmo, que se eu pudesse, recomeçaria tudo do zero... Mas não dá! Ninguém pode voltar no tempo... Então, tudo o que me resta a fazer é seguir em frente.

Sabem o que é bacana nessa história toda? Quando eu parei de procurar, ele apareceu... o Amor... e veio com letra maiúscula mesmo!

Hoje eu tô vivendo uma paixão cruel, desenfreada, com mil rosas roubadas, bem exagerada mesmo! Daquela que faz o sol brilhar só pra você... Que te consome por inteiro e te faz sonhar acordado... Um amor tão intenso, que te faz ter saudade logo quando você acorda pela manhã... Que te estampa um sorriso bobo no rosto ao longo do dia, mesmo quando a situação esta "preta" pra você!

É... e quem disse que isso é ruim? Muito pelo contrário! É simplesmente maravilhoso!
Tudo vira pretexto pra ligar, pra dizer que gosta, pra querer estar junto. Uma música, uma flor, um olhar... Quando a gente ama, se sente mais vivo e aprende a dar valor pra cada momento. Só amando a gente consegue entender a poesia que existe em tudo que nos cerca. Não existem obstáculos! Você é capaz de tudo! Tem força e determinação pra resolver qualquer parada.Só quando se ama é que as coisas ganham vida!

Eu estou amando, sim! E não tenho medo nenhum de dizer! Tem mais! Adoro um amor inventado, que faz largar carreira, dinheiro e canudo, que faz medigar, roubar e matar, que faz até morrer de fome se ela não me amar. Um amor daquele tipo que renasce a cada dia mais forte e de uma forma diferente, sincera, intensa, companheira, recíproca... o que, aliás, é a melhor parte.

Amem meus queridos... é a minha dica pra felicidade de vocês...

Beijos e Abraços!


PS: Post 100% dedicado a uma pessoa muito especial que Deus me entregou nas mãos, assim, sem mais nem menos, de presente. Beijos minha princesinha...

11.24.2005

Cartinha ao Ministério de Assuntos do Coração

Prezado Sr. Cupido,

Tá bom, eu admito. Eu sei que faz um tempão que venho enchendo o seu saco diariamente. Reconheço que não sou uma pessoa com o caso mais fácil de resolver, e que sou tão exigente e detalhista que chego faze-lo perder a paciência. Forcei a barra um milhão de vezes pra ser atendido logo, mas no fundo eu sabia que o senhor, sendo um funcionário público, tem que cuidar de muita gente que pegou senha muito antes de mim. Peço que me desculpe a intransigência, mas é que nascendo no Brasil, a gente se acostuma mal e acha que consegue resolver as coisas sempre da maneira mais, fácil e rápida possível. O tal to jeitinho brasileiro.

Devo ter torrado os meus créditos com o senhor quando o incomodava até nas suas horas de folga. Nem feriado eu respeitei. Lembro que fiquei bastante transtornado quando recebi a notícia de que as flechas haviam acabado e o senhor estava aguardando a Receita liberar o contêiner com o novo carregamento. Foram dias de angústia. E eu me revoltei porque sei que essa burocracia sempre atrapalha o encaminhamento do processo. Outra vez, foi quando seu grau de miopia aumentou, o senhor se lembra? Flechou um monte de gente errada e me trouxe muita complicação e raiva por causa disso. Tá, eu passei da conta mesmo. Não devia tê-lo chamado de “cegueta-alado”.

Ai, ai. E ainda teve até aquela vez que o senhor me ligou pro celular de madrugada, dizendo que tinha resolvido o caso, mas uma semana depois descobriu que tinha errado o sobrenome. Fui ao máximo da minha ira. E desejei profundamente que o senhor fosse pra um lugar bem distante (que eu prefiro não pronunciar aqui, mas que todo mundo sabe qual é...) e desaparecesse pra nunca mais voltar.

Por todo esse meu comportamento lamentável eu venho aqui de público, humildemente, pedir o seu perdão e também uma outra coisa... Será que dava pra aliviar? Precisava descontar tudo o que fiz de uma vez só? Será que não é muito revanchismo de sua parte, não? Acho que essa flecha que o senhor disparou, está com algum tipo de upgrade. Num é possível! Andou colocando alguma coisa a mais, foi?

Agora, por sua causa, eu não presto atenção em nada, só nela. Tenho tentado trabalhar e só penso em estar com ela. Por onde eu ando, há sol. Tudo o que vejo, tem flores. Meu telefone só liga pra ela. O perfume dela não sai de jeito nenhum do meu corpo. Fecho os olhos e adivinha quem me vem na cabeça? Ela. Conto cada segundo do dia pra estar com ela. Acordo pensando, durmo pensando, e ainda sonho com ela! As coisas só têm graça quando estou com ela. Nem consigo me despedir quando estou com ela, porque tenho vontade de ficar abraçado, beijando-a até de manhã. Toda música que escuto, me lembra dela. Vivo sem fome. Viajo nos meus pensamentos por ela. Pra todo mundo, eu só falo dela. Praticamente não existo mais se ela não está comigo.

Mas ainda tem o pior de tudo...
Eu nunca estive tão feliz nos últimos tempos.


Sendo assim, obrigado por tudo e desculpa qualquer coisa...





PS: Se tirar ela de mim, corto tuas asas e te faço comer flecha por flecha! Brincadeirinha... Rsrsrsrsrsrs....

11.21.2005

Sobre como escrever um Conto de Fadas na vida real

Todo Conto de Fada que se preza, deve obrigatoriamente ter uma princesa ou príncipe, um plebeu ou plebéia que nutre aquele amor quase impossível, improvável. Tem que ter um pouco de suspense, de romance proibido, de encontros, desencontros, um beijo, um fundo musical e um final feliz.

Como o acesso aos fatos da realeza anda meio complicado nos dias de hoje, e eu quero provar por a mais b que os contos de fada existem, vou tomar a liberdade de escrever este texto com base em alguns fatos que vi acontecer com pessoas normais, pessoas que conheço e que me são próximas, e em situações que de fato se desenrolaram. Sou testemunha, mas sei que ainda tem gente que vai achar que é tudo ficção. Pra estes, atenção! Esta não é uma obra de ficção! Apenas omiti o verdadeiro nome das personagens para preservar o futuro do que eu acredito será uma das mais bonitas histórias (e não estórias, que fique claro mais uma vez...) que conheci nos últimos tempos, e que, se ainda não teve final um feliz, certamente teve um começo muito feliz.

Parte I - Revezes da vida...

O destino costuma pregar essas peças. Deco e Lica, tinham acabado de sair de suas últimas desilusões amorosas... Haviam vivido experiências que os deixaram frustrados com a possibilidade de encontrar alguém legal pra gostar. Curtiam a viuvez de romances onde tinham se entregue, se dedicado totalmente, criando as maiores expectativas, tendo sido surpreendidos no fim, com acontecimentos que jamais sonhariam. Ele viu seu namoro de exatos 1220 dias, em questão de segundos se desintegrar no fatídico Sunday Bloody Sunday de 30 de abril, quando levou um sonoro “pé-na-bunda” em sua própria casa.

Ela, depois de tentar com algumas pessoas erradas, acreditou que tivesse finalmente achado a certa. Mas um ano depois, e justo no dia 06 de março, exatamente no dia seguinte de ter tido aniversário completamente ignorado pela única pessoa que não poderia faze-lo, descobriu também que o “dito cujo”, estava de partida para a Cidade Maravilhosa sem sequer haver deixado um bilhetinho azul com seus garranchos dizendo: “Chuchu vou me mandar!”.

Sem nada pior pra acontecer na vida, Deco resolveu vive-la e correu atrás do prejuízo, fazendo tudo que havia deixado de lado por tanto tempo. Passou a beber, deixou o cabelo crescer começou a sair, se divertir, e conheceu tantas pessoas que em pouco tempo estava abarrotando a agenda do celular de tantos contatos. Fez amizades verdadeiras e nesse “meio tempo” pegou muitas, mas muitas garotas. Gostou de algumas é verdade, quis ter outras, e fez o possível pra que isso acontecesse, mas algo sempre fez com que não fosse. No fundo elas nem eram pra ele mesmo.

Lica, seguiu os mesmos passos. Passou a curtir seus amigos, pegou um daqui, outro dali e fez a vida seguir em frente na medida do possível. Linda, ela sabia que poderia ter quem quisesse, podia se divertir o quanto quisesse, e o fez. Botou pilha em muito marmanjo por aí, tirou onda, ficou com alguns “escolhidos”, mas sentia, como Deco, que no fundo estava sozinha. Faltava a ambos aquela sensação de estar completo, de acordar num domingo, sabendo que alguém espera pra ir de mãos dadas ao cinema.

PARTE II - Encontros e Desencontros...

Deco conhecia Lica, mas há pouco tempo. Praticamente, de 3 meses pra cá, se viam quase todos os dias, mas nunca conversaram. Dividiam o mesmo espaço físico 5 dias por semana, mas o máximo que haviam dito um ao outro haviam sido palavras de poucas sílabas, estritamente necessárias para manter um relação cordial. Ele reparava nela. Discretamente, secretamente, e só. Acreditava que alguém como ela tinha de ter dono e guardava para si, com exclusividade, os olhares que lançava, tímido, sempre que podia, para memorizar suas feições.

Por sua vez, Lica tinha curiosidade. Havia prestado atenção algumas vezes, mas ele, por estar num posto diferente do seu, parecia inatingível. Alguém para ser apenas admirado. Totalmente fora das possibilidades. Sábio destino, este que alimenta nos corações apenas pequenas fagulhas sedentas pelo combustível que ferve os sentimentos. A procura dos dois continuava, cega e nada promissora. Quanto mais buscavam, menos conseguiam encontrar o que desejavam. Sábio destino, este que coloca tão próximo os nossos verdadeiros objetivos. Este que somente se revela a partir do instante em que paramos a procura e voltamos nossos olhos para nós e para o que está bem debaixo do nariz. As forças do destino começam a agir exatamente neste ponto: quando a busca cessa.

Tinham amigos em comum. E estes começaram a perceber naquele insignificante interesse de ambas as partes, motivo suficiente para organizar, quem sabe, uma operação de resgate. E começaram a botar lenha num lugar perigosamente explosivo. Começaram a instigar a possibilidade de que os dois ficassem juntos. Muito em off, comentavam com Lica e a faziam começar a pensar em algo além de uma respeitosa relação.

Ao mesmo tempo, Deco, sabe-se Deus de onde, resolveu perguntar pros mesmos amigos incendiários, coisas sobre Lica. E se surpreendeu com o que ouviu. Ela não tinha ninguém. Era impossível de acreditar, mas era isso mesmo. E foi o que ele precisou para tomar uma iniciativa.

PARTE III - Apenas um Começo Feliz...

Pediu o número do celular dela e mandou uma mensagem. – “Mas anônima, Deco?” “ Porque isso?”. Já era. Ela respondeu destruindo por completo suas esperanças. Mas ele já havia passado por tanta coisa. Estava curioso. Queria saber. O que poderia acontecer? “Outro pé na bunda?”. Dane-se. Respirou fundo, digitou nova mensagem e assinou. Escolheu o número dela e... “Enviando Mensagem”. Agora ferrou! Fechou os olhos e esperou pelo pior de novo. O pior não veio. Ela respondeu! Toda errada porque jamais poderia imaginar que era exatamente ele quem havia enviado a primeira mensagem. Achou que tinha sido grosseira. Pediu desculpas. Lembrou rapidamente que havia desejado ser ele quem tivesse enviado a mensagem mesmo, mas como ia saber? Não tinha o número dele e além do mais, a mensagem nem estava assinada.

Tolos. Começaram ali mesmo sua história. Encurtaram a discussão sobre as mensagens SMS e decidiram se encontrar. Conseguiram dois dias depois, e de lá pra cá, se viram todos os dias, sem exceção. Saíram, dançaram, conversaram, se conheceram mais e mais, fizeram amor de forma inesquecível, descobriram que têm tanto em comum, que gostam de tantas coisas parecidas, que desejam o mesmo tipo de felicidade, e que querem ficar juntos. A partir daí, cada beijo de “até amanhã”, tem sido como o primeiro... fazendo os cinco minutos de despedida, virarem algumas horas madrugada a dentro... com mais beijos e mais beijos... e um fundo musical de dar inveja a qualquer um...

E ainda dizem que não existe Conto de Fada...

11.18.2005

A química da pegação

Estão os dois naquele momento da noite em que já fizeram tudo de comportado que um casal pode fazer... já rolou aquela conversa pra falar de tudo e de nada, já passearam pela cidade sem rumo e sem opção, já pararam pra tomar um Ovomaltine médio no aeroporto, e agora, discretamente, cada um olha pro seu relógio e se pergunta bem nas internas: "Porra, o que ele(a) tá esperando?"

É a hora da verdade... o mundo se transformará em paraíso numa questão de segundos, desde que um lance quase mágico aconteça entre vocês...

A "prova dos nove" exige, não necessariamente na mesma quantidade ou na mesma ordem, uma certa dose de experiência, uma boa dose de entrega e intenção e, o ingrediente mais intrigante de todos: a química.

Pra resumir, essa "química" está associada diretamente com os sentidos. Tem a ver com o olhar, com o tom de voz, com a forma de tocar, com a percepção dos aromas do outro e com o sabor do beijo, da pele. Parece trivial, mas não é. Nem sempre isso rola com todo mundo, nem sempre rola com a pessoa que você tá a fim e nem sempre rola com a sua namorada. Sad but true, com diria uma música do Metallica. As vezes a gente só finge mesmo ou então se entrega à libido. Isso é uma outra história.

Estamos falando aqui daquele amasso, ou pegação, como preferirem, que faz você saltar do chão e ficar flutuando durante um beijo. Aquele momento em que a barriga fica formigando, o coração palpita mais forte e acelerado, e você entra num estado de dormência que te faz perder a noção de tempo e espaço. Um universo inteiro se cria só pra dar conta do que se passa na cabeça.

Uma pegação que tira o fôlego, que causa sussurros e gemidos, que provoca malabarismos e funciona tão bem quanto uma hora de academia. Aquela que deixa sempre a sensação de "não-pare-por-favor", que acontece em qualquer lugar, no claro, no escuro, com platéia ou não. A pegação que começa tímida e que, como um vulcão, entra em erupção sem medir nenhuma consequência. As mãos passeiam livremente, os corpos querem se fundir num só. Um quer tomar posse do outro. De olhos fechados e zilhões de coisas na cabeça, mas só uma importa realmente: "Pqp... o que é isso? O que está acontecendo comigo?"

Nesse lance de química, rola ir com o perfume dela pra casa, rola guardar o aroma das salivas que há pouco se misturavam. Faz lembrar tudo de novo. Como um DVD, onde se escolhe a exata cena da noite que se quer rever. O fenômeno da pegação intriga porque parece te tirar de ti mesmo e te colocar num momento do tempo que insiste em não avançar, simplesmente porque foi bom pra cacete e relembrar isso, te faz um bem danado.

No final, quando ela entra em casa, você volta pra sua, cheio de sorrisos, cantando a primeira música que toca no rádio do carro, sem pressa de chegar e, se for esperto, manda uma mensagem pro celular dela mostrando o quanto você adorou a companhia. Ela vai estar fazendo praticamente as mesmas coisas que você, e garanto, vai ficar feliz que só olhando pra tela do celular antes de cair no sono, com uma feição de alegria no rosto.

11.14.2005

A efemeridade de um momento eterno...ou vice-versa...

Chegou o dia, e tudo contraria a lógica do tempo. As horas demoram séculos, os segundos, anos. O relógio vai se arrastar, e mesmo antes de começar, este vai ser um daqueles dias intermináveis. Contudo, será sempre por um bom motivo. Dava até pra tentar dormir um pouco mais, mas algo naquela zona pra lá de subconsciente do cérebro ficava ecoando de longe: "É hoje... Caraca! É hoje!". Ansiedade a mil! A cama tenta agarrar, prender, mas é um esforço vão...

E ainda de manhã mesmo, na hora do chuveiro, começa aquela famosa paranóia-parapsicológica-pré-primeiro-encontro: “Pô, como será que vai ser hoje à noite?”; “Hum... seria bom se desse pra adivinhar exatamente o que vai acontecer mais tarde!”. E haja bola de cristal, cartomante, meditação, leitura de mãos e tudo mais que tem direito. A questão, é que nada disso adianta. Na hora, além de tudo acontecer diferente, não se passa nem perto de lembrar das “adivinhações” da manhã. Mais tarde, o apetite vai embora na hora do almoço e os níveis de adrenalina só tendem a aumentar numa escala que beira a catástrofe conforme o ponteiro do relógio vai avançando.

Sempre rola tentar distrair com alguma coisa. Trabalho? Nem pensar. O chefe vai ficar aborrecido, e é capaz até de mandar passar no departamento pessoal porque nada que se tente fazer vai merecer tanta atenção, a menos, é claro, que se trate do evento de logo mais à noite. Dormir pro tempo passar logo? Hum.. é uma tentativa... mas agora, a cama vai parecer que é feita de pedra e a cabeça, um grande redemoinho de imagens, sons, lembranças e desejos.

As possibilidades são muitas, mas, na maioria dos casos, o que vai acontecer mais tarde é que, pra não tremer tanto nas bases, vai rolar aquela Skarloff, ou aquela dose de Red-Black--Blue Label dependendo da grana, ou até mesmo uma boa e velha dose de cachaça pra dar uma moral e fazer o cérebro não ligar pro friozinho na barriga que vai batendo quando a hora se aproxima. Um chiclete definitivamente. Chiclete inibe um pouco a ansiedade, e mantém o cérebro ocupado por algum tempo.

Serão seis camisas antes daquela que vai ser escolhida pra sair; três pares de sapatos antes de calçar o tênis; dez minutos escovando os dentes (façanha que nem as mães conseguem ao longo de uma vida inteira!); meia hora de espelho (e depois dizem que isso é especialidade das mulheres...) arrumando o cabelo; mais meia hora escolhendo a trilha sonora que vai tocar no carro; e uma rápida manobra de volta pra casa depois de já ter saído, porque sair sem passar perfume é um crime inafiançável numa hora crucial como essa, digno até de prisão perpétua.

Então começa a chegar a parte engraçada da história. O tempo, que antes se arrastava, agora está correndo contra. Assim como o trânsito e todos os sinais, que, pra variar, estão vermelhos. Não pega bem chegar atrasado no primeiro encontro. Melhor mesmo, é chegar antes e esperar. Pra quem já esperou o dia inteiro, isso vai ser moleza. A espera quase sempre se estende um pouco mais, porque as mulheres têm um álibi perfeito. Para uma mulher, chegar atrasada num encontro cerca de dez ou vinte minutos, é sinal de charme e deve ser perfeitamente compreendido assim pelos homens. Fica a dica.

Então, a bendita hora chega. O momento mais esperado. Os dois estão frente a frente. Ele está segurando a porta do carro que está aberta pra ela (mulheres, se um homem no primeiro encontro não abrir a porta do carro, fujam!) e na cabeça dele, absolutamente nada, nadinha daquilo que ele passou o dia inteiro arquitetando. Ele cometeu o erro que todos os homens cometem, sem exceção. E não há remédio pra isso. Ele esqueceu da kriptonita de todos os super-homens, e foi arrebatado aos céus em corpo e espírito pela beleza que ela irradia em câmera lenta. Seu sorriso, seu perfume, seus cabelos, seu charme... Ela rouba completamente a atenção daquele minuto pelo qual ele tanto esperou e se preparou. Nocaute. Naquele mísero minutinho ela impera absoluta. Faltam palavras. A garganta seca e os olhos nada mais querem, além de registrar aquela visão. É aí então, que em silêncio, ele deseja de todo coração, que esse momento raptado do tempo seja eterno.

Eterno para sempre.

11.09.2005

Crônica da paradoxia do olhar...

Linguagem sem sons, sem vocábulos, assim é o olhar. Uma porta para os mistérios do eu. O solitário companheiro que capta a sutileza dos momentos mais efêmeros da existência humana. A câmera biológica que internaliza as alegrias, as tristezas, a euforia, a decepção, o êxtase, a dor, a angústia, o sofrimento, a paz, a guerra, e, ao mesmo tempo, irradia sentimentos tão incrustrados na alma, que palavra alguma, em idioma algum, seria capaz de descrevê-los.

Ah, se todo mundo percebesse a importância de um olhar...
Olhares mudam destinos, mudam vidas...
Olhares fazem nascer, fazem morrer...
O simples gesto de olhar, envenena ou remedia, rejeita ou acolhe, atrai ou repulsa, julga, incrimina ou absolve...
Na nossa relação com o mundo e as pessoas, é através dos olhos que toleramos, fraquejamos, fugimos, encontramos, reconciliamos, confiamos, duvidamos, amedrontamos, pacificamos...

Basta um olhar para se apaixonar... para trair...
Basta um olhar para querer... para terminar... para esquecer...

É através dos olhos que nosso espírito se comunica, não através dos lábios.
Palavras se perdem no vento, no tempo, mas não um olhar.
Um olhar verdadeiro é inesquecível... tem vida própria, tem causa própria, tem alvo certo e, mesmo tímido, nunca erra o seu destino...
Olhar é o primeiro gesto ao nascer e último gesto ao morrer.
Olhar é o que nos permite absorver a natureza, as pessoas, a essência e o essencial da vida.

Olhar, não é ver, é enxergar.
Olhar é também doar... o bom e ruim de você.

Lembre-se disso ao abrir os olhos.

11.08.2005

O ensaio apológico do beijo

Apesar das referências mais antigas sobre o beijo, datarem de 2.500 a.C. em esculturas nas paredes dos templos de Khajuraho, na Índia, tenho a sensação de que desde que mundo é mundo existe o beijo. Por que? Simples. Beijar é bom que só. Vai dizer que não é?

Beijar é muito mais do que a gente pensa. É usar os nossos sentidos. Todos eles de uma só vez. É ver a pessoa que beijamos, é sentir o seu cheiro, o seu gosto e sentir o toque dos lábios e da língua, sem falar das mãos, da pele...

O beijo é uma manifestação dos nossos sentimentos e revela muita coisa. O calor da paixão, a segurança do amor, a serenidade da afeição, e também a indiferença de uma iminente separação entre duas pessoas.

Nada melhor do que beijar e ser correspondido. Sim, porque beijo de verdade tem interação. Nele, rola uma sintonia, uma química que faz o coração bater um pouco mais rápido e forte, que faz a respiração faltar e é capaz até mesmo de fazer o tempo parar. Um minuto que dura toda a eternidade. Assim é um beijo sincero. Deixa marcas profundas na mente e provoca, de novo, as mesmas sensações quando lembrado.

Durante um beijo, é fundamental deixar fluir. Ouvir as melodias, os compassos que marcam a parte que cabe a cada um dos que se beijam. Como uma dança, como uma sinfonia. Beijo é movimento, é entrega, é doação. Beijar é se desprender, é sair do corpo e ser completamente dominado por uma sensação de "querer mais". É fechar os olhos e ainda assim enxergar. É escutar os sussurros mais sutis da alma alheia e voltar pra casa anestesiado, flutuando, como uma bolha de sabão, livre, leve e solto... ao sabor do vento.

É... deu até vontade de beijar...

Pra mim, ainda falta a pessoa, falta a química...
Ah! Pra você, não!? Então vê se beija logo!
Eu não perderia nem mais um segundo se fosse você.

=*

11.06.2005

Ando devagar porque já tive pressa...

Post musical que dedico a todos os meus amigos.
Atenção para a letra! Tem muito a nos ensinar!
Grande abraço. Estarei aqui sempre que precisarem.

Tocando em frente

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs,
é preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir,
é preciso a chuva para florir.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha, e ir tocando em frente
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
de estrada eu sou
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz
Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz.

11.02.2005

Sentado, esperando, desejando...

Todo mundo, em algum ponto da nossa breve existência, já resolveu gostar de alguém e não ser correspondido... Ah, não negue! Isso é tão certo quanto 2+2=4. E se você tá "se achando" e dizendo que ainda não passou por isso, ou que nunca vai passar, não se preocupe, sua hora vai chegar...

É... e você vai fazer de tudo pra demonstrar que gosta da pessoa, que quer ela ao seu lado... vai até fazer papel de bobo pra tentar um minutinho da atenção ou alguns segundos perto da sua escolhida. Vai pra lugares que nunca sonhou ir. Vai fazer coisas que nunca faria no seu "estado-psicológico-normal". Vai assistir comédias românticas no cinema, vai olhar mais os pores-de-sol, vai querer mandar flores, vai propor um jantar à dois, vai abrir toda hora o seu hotmail pra ver se chegou aquela mísera mensagem que você tanto queria que chegasse... Seu mundo vai viver em função disso, prepare-se.

Mas tem uma coisa... (E o Jack Johnson tem razão ao questionar essa onda toda.)

Uma hora a gente meio que "cansa" de levar porta na cara, cansa de ficar "Sittin, Waiting, Whishing..." , e aprende que gostar de alguém não faz essa pessoa necessariamente gostar de você também. É foda, mas você aprende que não pode ficar "esperando" a vida inteira por alguém que não corresponde a tudo que você sente, quer e faz por ela.

Preste bem atenção! Você vai perceber que todas as músicas que você aprendeu a gostar e dançar por causa dessa pessoa, que sair com os amigos dela só pra estar por perto, que ficar triste e deprimido por causa das negativas, que ficar bancando "o bobo" quando ela parece "dar bola" pra você e na verdade fica com outro, simplesmente não vale a pena pra você!

Você vai entender que, sentar, esperar e desejar alguém, tem limite! E nunca mais vai deixar ninguém extrapolar esse seu limite. Aliás, depois de passar por tudo isso, escreva o que eu digo... você vai se amar muito mais, vai se cuidar muito mais, vai aprender muito mais e, se por acaso for passar por tudo de novo, vai perder muito menos do seu tempo, do que todas as vezes anteriores...

Bom feriado e boa semana a todos.

Sitting, Waiting, Wishing - Jack Johnson

“Well I was sitting, waiting, wishing
But Lord knows that this world is cruel
I ain't the Lord no I'm just a fool
Learning loving somebody
don't make them love you
Must I always be waiting, waiting on you?
Must I always be playing, playing your fool?
I sang your songs, I danced your dance
I gave your friends all a chance
But Putting up with them wasn't worth never having you
I can't always be waiting, waiting on you
I can't always be playing, playing your fool”


Trechinhos da música pra vocês pensarem no que eu disse.

10.22.2005

Hoy llueve, hoy duele...

Nem adianta negar. Às vezes ficamos completamente submissos às nossas emoções. Ainda mais, quando existe um contexto propício para criar aquele"blues mood" em você. Sabem... tô falando daquelas coisas que queremos e não temos, do que vemos e não gostaríamos de ver, daquilo que ouvimos e preferiríamos esquecer, de sentimentos que machucam e, mesmo quando cicatrizam, insistem em sangrar com uma simples pancadinha. Pra completar o cenário, você acorda e o tempo está chuvoso, deixando tudo mais cinza, frio, monótono e bucólico.(essa chuva foi a minha pancadinha...)

Cultivo o hábito de conversar com as minhas emoções. Faço isso através da música. É melhor e mais fácil. Sobretudo quando você não consegue se expressar com as palavras certas. A música nunca falha. Sempre tem "aquela" que explica totalmente o seu momento, a sua cabeça e o seu coração. Ontem, uma não saía de jeito nenhum da minha cabeça e hoje, prefiro deixar ela falar por mim... eu realmente prefiro. Vocês vão entender, tenho certeza.

Metal contra as nuvens (Renato Russo)
Não sou escravo de ninguém, ninguém é o senhor do meu domínio.
Sei o que devo defender e por valor eu tenho e temo o que agora se desfaz. Viajamos sete léguas por entre abismos e florestas. Por Deus nunca me vi tão só. É a própria fé o que destrói. Estes são dias desleais.


Mas sou metal, raio, relâmpago e trovão.Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão. Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.

Reconheço meu pesar quando tudo é traição. O que venho encontrar é a virtude em outras mãos. Minha terra é a terra que é minha e sempre será. Minha terra tem a lua, tem estrelas e sempre terá. Quase acreditei na tua promessa e o que vejo é fome e destruição. Perdi a minha sela e a minha espada, perdi o meu castelo e minha princesa.

Quase acreditei, quase acreditei. E, por honra, se existir verdade, existem os tolos e existe o ladrão. E há quem se alimente do que é roubo. Vou guardar o meu tesouro caso você esteja mentindo. Olha o sopro do dragão.

É a verdade o que assombra, o descaso que condena, a estupidez o que destrói. Eu vejo tudo que se foi e o que não existe mais. Tenho os sentidos já dormentes, o corpo quer, a alma entende. Esta é a terra-de-ninguém, sei que devo resistir.Eu quero a espada em minhas mãos

Mas sou metal, raio, relâmpago e trovão. Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão Eu sou metal me sabe o sopro do dragão

Não me entrego sem lutar, tenho ainda coração. Não aprendi a me render, que caia o inimigo então. Tudo passa, tudo passará. E nossa história não estará pelo avesso assim sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar, e até lá, vamos viver. Temos muito ainda por fazer, não olhe pra trás. Apenas começamos. O mundo começa agora! Apenas começamos.

E pra terminar...
"...and those moments will be lost in time like tears in the rain..." texto de Rutger Hauer como a personagem Roy, em Blade Runner, o Caçador de Andróides.

10.20.2005

Epur si Muove!

"Contudo, se move!"
Galileu Galilei talvez não tenha imaginado que sua célebre frase escondesse um sentido oculto, quase enigmático, que se tornaria, num plano bem aquém das constatações físicas do movimento de rotação da Terra ao redor do sol, num ditado popular cujo significado carrega em si a idéia de que, assim como o movimento do nosso planeta, também a nossa vida se desenrola obedecendo a um movimento constante e mutante.

Difícil de entender? Nem tanto. Estou falando pra vocês do velho:
"O mundo dá voltas". E num é que dá mesmo?

Está na hora de entender de uma vez por todas que devemos parar de ficar tão desorientados quando as coisas não saem exatamente como a gente espera. Sabem?Naqueles momentos quando não fazemos o que deveríamos fazer, quando aquele emprego que desejamos não é nosso, quando a pessoa que queremos não nos quer, quando procuramos auxílio e nos dão as costas, quando a gente espera apenas uma palavra de perdão e temos que nos contentar com o silêncio ou a indiferença das pessoas, quando os amigos não parecem ser tão amigos assim.

Galileu estava corretíssimo! O mundo realmente dá voltas, e subitamente, as coisas mudam sem aviso. Como uma escola, a vida ensina a todo instante que é dinâmica e que as situações de hoje não serão as mesmas amanhã ou, quem sabe, daqui mesmo há um segundo. A tristeza de hoje, vira alegria. A busca, em breve vira descoberta. A dúvida se transforma em certeza. A chuva abre espaço para o sol brilhar de novo. A vida é assim, um vai e vem infinito. Cedo ou tarde, tudo muda o tempo todo no mundo.

Mas cuidado, porque às vezes tudo pode mudar para pior também. Simplesmente, pelo fato de que a sabedoria que rege a ordem natural das coisas vai certamente fazer com que a gente passe pelas coisas ruins que fazemos aos outros como forma de "provar do próprio veneno" e assim poder aprender, pela experiência, o que é certo e o que é errado.

Por isso mesmo, aproveitar bem a vida e para o bem, é uma máxima que não se pode postergar. É imperativo saber enxergar as oportunidades que se abrem diante dos nossos olhos, porque se assim não o fizermos, grande é o risco de ter que passar por períodos de estiagem, onde a sensação de dúvida paira e faz emergir um lado pessimista e derrotado que não nos faz nenhum bem. Vamos viver! Há tanta vida lá fora! Aqui dentro, sempre como uma onda no mar!

Será que Galileu escutava Lulu Santos?

Abraço a todos... e por favor, vivam intensamente suas vidas.

10.17.2005

Ser ou não ser... eis a questão.

“Ser ou não ser, eis a questão! Que é mais nobre para a alma: sofrer os dardos e setas de um destino cruel, ou pegar em armas contra um mar de calamidades para pôr-lhes um fim, resistindo?"

William Shakespeare


Por mais incrível que pareça, esta frase, que representa o dilema de Hamlet e que foi escrita por Shakespeare entre 1599 e 1604, é mais comum, presente e atual em nossos tempos do que imaginamos.

Hamlet precisava escolher entre ser príncipe e ser ele mesmo... mas, e quanto a nós? Quais as nossas escolhas? Até que ponto podemos escolher sermos nós mesmos?

Quantas vezes não nos sentimos como ele, impotentes, apáticos, repletos de conflitos de consciência? Quantas vezes precisamos salvar o nosso reino de sua destruição, mas somos incapazes de agir de acordo com o que nós mesmos esperamos de nós?

É, eu ando melancólico, é fato... mas de alguma forma, a melancolia me ajuda a acentuar minha visão e aguçar os meus sentidos. Pensar fortalece a intuição e permite ver coisas que no ritmo frenético da vida, seriam impossíveis de serem percebidas.

Não pretendo exitar como Hamlet e deixar de fazer o que devo fazer. Mas prefiro ser prudente e pensar antes de agir. Ao contrário da personagem, acredito que podemos mudar o destino, e que a vida, por mais breve que seja, pode nos proporcionar todas as oportunidades que precisamos para sermos felizes... é só querer enxergar. Eu quero. E você?

10.11.2005

Quem sabe esperar...

"Quem sabe esperar o bem que deseja não toma a decisão de se desesperar se ele não chega; aquele que, pelo contrário, deseja uma coisa com grande impaciência, põe nisso demasiado de si mesmo para que o sucesso seja recompensa suficiente.
Há pessoas que querem tão ardente e determinantemente certa coisa, que por medo de perdê-la, não esquecem nada do que é preciso fazer para perdê-la. As coisas mais desejadas não acontecem; ou se acontecem, não é no tempo nem nas circunstâncias em que teriam causado extraordinário prazer."

Jean de La Bruyére


Nós desaprendemos a esperar. O ritmo de nossas vidas tem nos imposto que as coisas têm que ser pra hoje, agora. Nada de esperar pelo amanhã. Temos que intervir. O tempo é o grande inimigo e precisa ser vencido, abreviado. Nem parece que iremos viver setenta, oitenta ou noventa anos. A vida tem que ser resolvida logo. Mas eu, agora que passei dos 30, vejo que não é bem assim. A minha vida está só começando.

Pra quê se iludir? Não temos o controle de tudo, muito menos do tempo e das pessoas. E se não aprendermos isso, se deixarmos nos contaminar com a idéia de que a nossa vida deve ser toda vivida no tempo que determinarmos, e que as pessoas devem ser, fazer e estar do jeito que queremos e no tempo que queremos, iremos inevitavelmente ficar impotentes e correr o risco de nunca ter aquilo que desejamos.

Aprendi uma verdade. Certas coisas - conquistas, respostas, sentimentos – precisam de tempo. Como uma borboleta, que se for retirada do casulo antes do devido tempo acaba por morrer. Temos que aprender a esperar pra ver nossos sonhos estarem devidamente prontos, para assim podermos vivê-los.

Sim, em muitas coisas na vida temos que agir rápido, se mover, caso contrário elas não acontecem. Mas também precisamos reconhecer quando termina nossa tarefa, nosso limite de ação, o alcance de nosso braço e de nossas mentes. Reconhecer quando fizemos o que poderíamos ter feito, dissemos o que deveríamos ter dito e mostramos o que precisávamos ter mostrado. Nesse caso, quando já não depende mais de nós, é necessário dar tempo ao tempo, pois é aí que começa a esperança.

Agora é esperar até amanhã e depois, e depois e depois, e depo..., e de..., e...

10.09.2005

Escolher com a razão liberta a emoção.

Já pararam pra prestar atenção como a nossa vida funciona?

Todos os dias nós estamos fazendo escolhas. Da hora que acordamos, até a hora de deitar de novo na cama para planejar o dia seguinte.
Ok, algumas decisões são triviais, como escolher a roupa que vai usar, que horas vai pro cinema, se come doce ou não, etc. Outras, entretanto, são muito mais importantes porque envolvem objetivos e metas que desejamos para nós, como por exemplo, estar bem e feliz (ou será que alguém tem como meta sofrer a vida toda?).

Curioso é que os maiores responsáveis por tudo que colhemos ao longo da nossa existência somos nós mesmos, a partir exatamente dessas escolhas, mas temos o péssimo hábito de transferir essa responsabilidade para os outros. Falo isso, porque acredito sinceramente que no final das contas você sempre tem o poder do livre arbítrio, isto é, você tem o poder de dizer sim ou não, quero ou não quero, faço ou não faço, para 99 por cento dos problemas e dúvidas que te aparecem pela frente.

Cresci ouvindo as pessoas dizerem que é errando que se aprende. Eu até concordo, mas será que a gente leva isso à sério? Duvido. Fico triste demais quando vejo pessoas pelas quais tenho um grande carinho e admiração, passarem por situações muito complicadas na vida, sofrerem por terem feito opções erradas, mas ainda assim insistirem em continuar no erro ou se sentirem tentadas depois de terem saído do fundo do poço, a tomar de novo o mesmo caminho que as fez sofrer. Isso é no mínimo incoerente, sem razão e denota uma lacuna de amor próprio.

Escolher bem é fundamental, gente! Escolher com a razão então, melhor ainda. Tem coisas que já vivemos e sabemos tão claramente que não vai dar certo, não é verdade? Então pra quê repetir a dose de sofrimento? Pra quê passar por tudo de novo? Esqueceu de quando você ficou triste e chorando, de cabeça baixa, sem ânimo, frustrado, decepcionado? Esqueceu de quando você esperou por uma coisa e viu outra? Esqueceu de coisas ruins que você ouviu, de discussões que você não queria ter tido?De coisas que você queria ter feito e não fez? Esqueceu quando imaginou uma coisa de alguém e essa pessoa se mostrou outra pra você?

Reaja! Você já superou tudo isso! Agora, faz muito mais sentido seguir em frente e ser feliz. É só olhar ao redor pra ver... você vai encontrar o que deseja para o seu futuro no presente, não no passado. Permita-se, ao menos uma vez, não ter dúvida na hora de escolher, sobretudo quando você passa a ter uma opção que te deixa claro que vai te fazer bem, que vai te fazer feliz. Não é isso que você quer? Então escolha com a razão, para depois poder curtir só as suas melhores emoções.

Pra terminar o post, "musiquinha" do Rei Roberto Carlos, curtinha mas pancada na hora de falar umas verdades pro nosso coração.

Boa semana a todos!

É preciso saber viver

Quem espera que a vida seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver
Toda pedra do caminho você deve retirar
Numa flor que tem espinhos você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem você pode escolher

É preciso saber viver

10.08.2005

ANTIPÀTHEIA...

A palavra antipatia tem sua origem em duas outras palavras gregas, ANTI, que significa contra, e PÀTHOS, cuja tradução seria, no bom português afeição, paixão. Basicamente, antipatia representa uma aversão, uma repugnância natural e não-racional que uma pessoa tem por outra e, por analogia, por suas coisas. Vocês devem estar se perguntando: "What´s porra é essa?"... "Por que esse cara tá postando isso?"

Há alguns dias fiquei bastante surpreso, quando soube que algumas pessoas relativamente próximas, com as quais convivo, com as quais inclusive já saí, e que, de certa forma têm a minha admiração e o meu respeito, simplesmente "não vão com a minha cara", isto é, me antipatizam... Pior que isso, fazem isso de forma gratuita, sem que tenhamos tido ao menos uma única conversa daquelas que esclarecem pro outro quem nós somos.

A natureza do ser humano é assim... infelizmente, algumas pessoas preferem viver numa conduta hipócrita, colocando suas máscaras e escondendo aquilo que realmente pensam a nosso respeito. Na verdade, tentando esconder de si mesmas, aquilo que elas próprias são e não suportam ser.

Prefiro ser eu mesmo, prefiro que mostrar quem sou, prefiro dar a oportunidade pras pessoas me conhecerem e aí sim, optarem por gostar ou não de mim, por estar ou não comigo. É mais sensato, correto e adulto. Não tenho mais vinte e poucos anos e nem quero voltar a ter. Talvez isso incomode muita gente. Foda-se! Vejo as coisas sob um ângulo completamente diferente, graças a Deus. Consigo hoje ter a maturidade que sempre quis ter, mantendo meu espírito jovem, fazendo tudo que sempre fiz, sem a insensatez e as posturas infantis de antes, magoando menos as pessoas e pedindo desculpas quando o faço. Tem gente que pensa que vive na "Terra do Nunca", onde o tempo não passa e você nunca cresce... Hipocrisia! Crescer, aprender, amadurecer é inerente aos seres humanos, não se pode escapar disso, apenas escolher dois caminhos... Eu fiz a minha escolha há tempos... Escolhi o caminho mais difícil, porém mais curto... Resolvi deixar de ser menino há quase 10 anos atrás.

Outro dia, quando estiver a fim, falo sobre hipocrisia, uma palavrinha que, pelo visto, anda muito em voga ultimamente.

10.07.2005

Depois da tempestade...

O post de hoje é o título de uma música que o meu amigo Dante Graça escreveu e eu dei uma contribuída pra finalizar. Fala daquela situação em que a gente levou um fora, ficou mal pacas, mas acorda e percebe que existe uma luz no fim do túnel, que a gente ainda vive e pode sempre recomeçar.

DEPOIS DA TEMPESTADE
(Dante Graça/Beto Bellini)

Você me deu adeus e veio a tempestade
Do céu caíam lágrimas que me traziam saudade
De uma história assim tão breve como chuva de verão
Você passou por mim com a força de um furacão
Foi uma tormenta, muito mais que um vendaval
só a natureza entendeu que o meu amor era real

Mas a chuva passa e o vento cessa
Depois da tempestade as lágrimas secam e nada foi em vão...

Pois a chuva passa e o céu se abre
Depois da tempestade, outra vez o sol aquece a emoção

Eu não vou deixar, não... pintar meu céu de gris, ficar na escuridão
Se preciso for, além das nuvens vou voar
Roubar a lua e as estrelas só pra me iluminar

São meras estações, paixões que vem e vão
Depois da tempestade, sempre vem a calma
Depois da tempestade, um amor de verdade
Sempre invade a alma, e toma o coração


Bom fim de semana a todos!

10.06.2005

E agora? Invisto ou não invisto?

Se tem uma coisa que incomoda a criatura, e por favor não sejamos hipócritas pra negar, porque todo mundo já passou, passa e ainda vai passar por isso, é a incerteza que bate quando pensa em investir na pessoa que gosta, e não consegue sacar um mísero sinalzinho sequer e perceber se há a menor reciprocidade da outra parte, a ponto de te encorajar a tomar uma, digamos, atitude.

Faz parte da natureza humana ter um certo "receio" das situações novas e incertas, até aí, tudo bem... O que eu acho complicado é que, racionalmente, isso não se justifica, já que somos os únicos seres no planeta capazes de lidar e aprender com as situações mais diversas possíveis, sempre analisando, planejando, tentando, adaptando, enfim, a mente humana é capaz de encontrar jeito pra tudo.

Seria simples assim, se não fosse tão complexo, né?
A verdade, é que no que diz respeito às coisas do coração, a mente num manda muito não. Fica meio lenta, "pé atrás", querendo arregar e, por isso, a gente nunca sabe exatamente como agir. Daí, as nossas incertezas só aumentam apesar da imensa vontade de fazer alguma coisa urgentemente.

Não acredito sinceramente em receita de bolo para fazer uma investida dar certo, porque não acho que essas coisas tem que ser meticulosamente planejadas, esquematizadas e nem que precisam ter data e hora marcadas. Não acredito que a gente possa controlar sentimentos a ponto de guardá-los num lugar secreto que ninguém jamais vai ter acesso. Acho até que isso faz é mal. Pra mim, é impossível deixar de prestar atenção no que o coração diz, por mais que muita gente se esforce pra isso. Sabe... à noite, quando a gente deita pra cair no sono, é a hora da verdade... é o momento em que a batalha "Emoção versus Razão" fica mais parecendo uma final do Ultimate Fighting. Enquanto isso não se resolve, você fica parecendo um autista e seus amigos, com toda razão, querendo te internar.

Por essas e outras, é que eu acho que o melhor a fazer, é fazer...
Já pensou se você for correspondido, heim? Que alegria!!!!
Também se não for, ora bolas, você é brasileiro, lembra? Não desiste nunca...

É isso aí pe-pe-ssoal!

10.05.2005

10 coisas para se pensar olhando um céu estrelado


Já que um blog serve pra isso, hoje, após o blackout de ontem à noite, preciso compartilhar com vocês um daqueles momentos efêmeros que só algumas poucas situações proporcionam pra gente na vida. Aqueles momentos que você guarda uma lembrança sutil e para o qual você recorre quando está precisando simplesmente fechar os olhos e pensar em coisas boas...

Quando as luzes se apagaram e depois que finalmente consegui chegar em casa no auge do calor (e confesso que seria insuportável ficar dentro do quarto sem um mísero ventilador pra jogar ao menos uma brisa), recorri à única coisa lúcida e possível de solucionar meu problema... Puxei o sofá para o fundo do quintal, bem pertinho de onde estaciono o carro, liguei o som (Norah Jones é o que tenho escutado demais ultimamente), e deitei... Uma visão rara nos céus das grandes cidades tomou conta imediatamente da minha retina... milhares, quer dizer, milhões de estrelas!!!!!

Engraçado, porque imediatamente me dei conta de que aquele momento seria diferente... e foi.

Elaborei uma lista das 10 coisas pra gente pensar quando se deparar com um céu estrelado como aquele que vi ontem. Façam bom proveito:

1 - Ufa... eu estou vivo, mas se tivesse morrido, queria que fosse assim...
2 - Por que nunca presto tanta atenção quanto deveria para um céu como esse?
3 - Sim, por mais que tentem provar o contrário, Deus existe.
4 - Aquele é o Cruzeiro do Sul, ali as Três Marias, ali está Marte...
5 - Olhando tanta estrela assim, é pouco provável que não exista vida em algum outro planeta por aí.
6 - Será que alguma tem o meu nome? Se não tiver, dane-se, eu batizo uma agora mesmo.
7 - Estrelas cadentes não são estrelas, mas assim mesmo, vale à pena ficar olhando pra elas.
8 - Não custa nada fazer um pedido quando vemos uma... ainda mais vendo várias!!!!
9 - Porra Norah Jones!!! Num me fode!!!
10 - Ai, ai... acho que estou apaixonado, ou então ficando sentimental demais... anyway... so what?

Façam suas listinhas... é divertido e vale à pena! Vocês vão ver...

10.04.2005

Instantes - Um poema que gostei, roubei e adaptei

"Se pudesse viver novamente a minha vida, na próxima cometeria menos erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria em mais rios. Iria a mais lugares aonda nunca fui, tomaria mais sorvete e comeria menos salada, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários. Tenho sido uma dessas pessoas que vivem sensata e produtivamente cada minuto de sua vida, claro que tive e tenho momentos de alegria, mas, se pudesse voltar a viver desde o começo novamente, procuraria ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos; não percam o agora. Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas de carrossel, contemplaria mais amanheceres e ficaria deitado na grama para olhar as estrelas, tomaria mais banhos de rio e estaria muito mais com meus amigos se tivesse outra vez minha vida pela frente." Borges

Parece estranho inaugurar o blog assim... Mas quem me conhece, sabe que não... Uma hora é inevitável olhar a vida da gente pelo lado de fora... É inevitável contabilizar, medir, comparar, saber qual o nosso saldo nessa história toda.

Esse é o grande barato de viver, isto é, poder olhar para si, sem mentiras, sem medo, e conseguir se perceber, se investigar. Mais do que isso, poder decidir o curso de sua própria jornada, e mudar a rota sempre que for necessário, ou sempre que estiver a fim... Justamente pra não chegar no fim da estrada, desejando ter outra vez a vida toda pela frente.

Entretanto, a verdade é que a grande maioria das pessoas consegue se manter aprisionada apenas em momentos isolados da vida. Momentos fulgazes que não refletem a grandeza de uma história construída por tantas e tantas situações. A verdade é que nós mesmos tratamos de subir um muro de concreto ao nosso redor, como se isso garantisse guardar em segurança esses momentos da vida. Esquecemo-nos sempre, que outros virão, sucedendo os anteriores, renovando os caminhos e construindo não apenas mais um momento, e sim, uma existência.

Melhor então parar pra pensar nisso tudo agora. Todo dia é sempre um bom dia para se fazer questionamentos, para pensar e recomeçar... e nunca, nunca é tarde demais para se conhecer.

Agora é com vocês.