11.28.2005

Exagerado, com mil rosas roubadas...

Não sei porque, mas hoje em dia, parece que as pessoas têm medo do amor...

Êpa! Eu não! Não tenho mais tempo pra deixar de amar! Sei lá como vai ser o dia de amanhã?! Já perdi preciosos minutos da minha vida com bobagens, brigas e coisas tão insignificantes. Estive com tantas pessoas que não souberam me dar o devido valor.... passei por tantas situações que me roubaram um pouco de mim mesmo, que se eu pudesse, recomeçaria tudo do zero... Mas não dá! Ninguém pode voltar no tempo... Então, tudo o que me resta a fazer é seguir em frente.

Sabem o que é bacana nessa história toda? Quando eu parei de procurar, ele apareceu... o Amor... e veio com letra maiúscula mesmo!

Hoje eu tô vivendo uma paixão cruel, desenfreada, com mil rosas roubadas, bem exagerada mesmo! Daquela que faz o sol brilhar só pra você... Que te consome por inteiro e te faz sonhar acordado... Um amor tão intenso, que te faz ter saudade logo quando você acorda pela manhã... Que te estampa um sorriso bobo no rosto ao longo do dia, mesmo quando a situação esta "preta" pra você!

É... e quem disse que isso é ruim? Muito pelo contrário! É simplesmente maravilhoso!
Tudo vira pretexto pra ligar, pra dizer que gosta, pra querer estar junto. Uma música, uma flor, um olhar... Quando a gente ama, se sente mais vivo e aprende a dar valor pra cada momento. Só amando a gente consegue entender a poesia que existe em tudo que nos cerca. Não existem obstáculos! Você é capaz de tudo! Tem força e determinação pra resolver qualquer parada.Só quando se ama é que as coisas ganham vida!

Eu estou amando, sim! E não tenho medo nenhum de dizer! Tem mais! Adoro um amor inventado, que faz largar carreira, dinheiro e canudo, que faz medigar, roubar e matar, que faz até morrer de fome se ela não me amar. Um amor daquele tipo que renasce a cada dia mais forte e de uma forma diferente, sincera, intensa, companheira, recíproca... o que, aliás, é a melhor parte.

Amem meus queridos... é a minha dica pra felicidade de vocês...

Beijos e Abraços!


PS: Post 100% dedicado a uma pessoa muito especial que Deus me entregou nas mãos, assim, sem mais nem menos, de presente. Beijos minha princesinha...

11.24.2005

Cartinha ao Ministério de Assuntos do Coração

Prezado Sr. Cupido,

Tá bom, eu admito. Eu sei que faz um tempão que venho enchendo o seu saco diariamente. Reconheço que não sou uma pessoa com o caso mais fácil de resolver, e que sou tão exigente e detalhista que chego faze-lo perder a paciência. Forcei a barra um milhão de vezes pra ser atendido logo, mas no fundo eu sabia que o senhor, sendo um funcionário público, tem que cuidar de muita gente que pegou senha muito antes de mim. Peço que me desculpe a intransigência, mas é que nascendo no Brasil, a gente se acostuma mal e acha que consegue resolver as coisas sempre da maneira mais, fácil e rápida possível. O tal to jeitinho brasileiro.

Devo ter torrado os meus créditos com o senhor quando o incomodava até nas suas horas de folga. Nem feriado eu respeitei. Lembro que fiquei bastante transtornado quando recebi a notícia de que as flechas haviam acabado e o senhor estava aguardando a Receita liberar o contêiner com o novo carregamento. Foram dias de angústia. E eu me revoltei porque sei que essa burocracia sempre atrapalha o encaminhamento do processo. Outra vez, foi quando seu grau de miopia aumentou, o senhor se lembra? Flechou um monte de gente errada e me trouxe muita complicação e raiva por causa disso. Tá, eu passei da conta mesmo. Não devia tê-lo chamado de “cegueta-alado”.

Ai, ai. E ainda teve até aquela vez que o senhor me ligou pro celular de madrugada, dizendo que tinha resolvido o caso, mas uma semana depois descobriu que tinha errado o sobrenome. Fui ao máximo da minha ira. E desejei profundamente que o senhor fosse pra um lugar bem distante (que eu prefiro não pronunciar aqui, mas que todo mundo sabe qual é...) e desaparecesse pra nunca mais voltar.

Por todo esse meu comportamento lamentável eu venho aqui de público, humildemente, pedir o seu perdão e também uma outra coisa... Será que dava pra aliviar? Precisava descontar tudo o que fiz de uma vez só? Será que não é muito revanchismo de sua parte, não? Acho que essa flecha que o senhor disparou, está com algum tipo de upgrade. Num é possível! Andou colocando alguma coisa a mais, foi?

Agora, por sua causa, eu não presto atenção em nada, só nela. Tenho tentado trabalhar e só penso em estar com ela. Por onde eu ando, há sol. Tudo o que vejo, tem flores. Meu telefone só liga pra ela. O perfume dela não sai de jeito nenhum do meu corpo. Fecho os olhos e adivinha quem me vem na cabeça? Ela. Conto cada segundo do dia pra estar com ela. Acordo pensando, durmo pensando, e ainda sonho com ela! As coisas só têm graça quando estou com ela. Nem consigo me despedir quando estou com ela, porque tenho vontade de ficar abraçado, beijando-a até de manhã. Toda música que escuto, me lembra dela. Vivo sem fome. Viajo nos meus pensamentos por ela. Pra todo mundo, eu só falo dela. Praticamente não existo mais se ela não está comigo.

Mas ainda tem o pior de tudo...
Eu nunca estive tão feliz nos últimos tempos.


Sendo assim, obrigado por tudo e desculpa qualquer coisa...





PS: Se tirar ela de mim, corto tuas asas e te faço comer flecha por flecha! Brincadeirinha... Rsrsrsrsrsrs....

11.21.2005

Sobre como escrever um Conto de Fadas na vida real

Todo Conto de Fada que se preza, deve obrigatoriamente ter uma princesa ou príncipe, um plebeu ou plebéia que nutre aquele amor quase impossível, improvável. Tem que ter um pouco de suspense, de romance proibido, de encontros, desencontros, um beijo, um fundo musical e um final feliz.

Como o acesso aos fatos da realeza anda meio complicado nos dias de hoje, e eu quero provar por a mais b que os contos de fada existem, vou tomar a liberdade de escrever este texto com base em alguns fatos que vi acontecer com pessoas normais, pessoas que conheço e que me são próximas, e em situações que de fato se desenrolaram. Sou testemunha, mas sei que ainda tem gente que vai achar que é tudo ficção. Pra estes, atenção! Esta não é uma obra de ficção! Apenas omiti o verdadeiro nome das personagens para preservar o futuro do que eu acredito será uma das mais bonitas histórias (e não estórias, que fique claro mais uma vez...) que conheci nos últimos tempos, e que, se ainda não teve final um feliz, certamente teve um começo muito feliz.

Parte I - Revezes da vida...

O destino costuma pregar essas peças. Deco e Lica, tinham acabado de sair de suas últimas desilusões amorosas... Haviam vivido experiências que os deixaram frustrados com a possibilidade de encontrar alguém legal pra gostar. Curtiam a viuvez de romances onde tinham se entregue, se dedicado totalmente, criando as maiores expectativas, tendo sido surpreendidos no fim, com acontecimentos que jamais sonhariam. Ele viu seu namoro de exatos 1220 dias, em questão de segundos se desintegrar no fatídico Sunday Bloody Sunday de 30 de abril, quando levou um sonoro “pé-na-bunda” em sua própria casa.

Ela, depois de tentar com algumas pessoas erradas, acreditou que tivesse finalmente achado a certa. Mas um ano depois, e justo no dia 06 de março, exatamente no dia seguinte de ter tido aniversário completamente ignorado pela única pessoa que não poderia faze-lo, descobriu também que o “dito cujo”, estava de partida para a Cidade Maravilhosa sem sequer haver deixado um bilhetinho azul com seus garranchos dizendo: “Chuchu vou me mandar!”.

Sem nada pior pra acontecer na vida, Deco resolveu vive-la e correu atrás do prejuízo, fazendo tudo que havia deixado de lado por tanto tempo. Passou a beber, deixou o cabelo crescer começou a sair, se divertir, e conheceu tantas pessoas que em pouco tempo estava abarrotando a agenda do celular de tantos contatos. Fez amizades verdadeiras e nesse “meio tempo” pegou muitas, mas muitas garotas. Gostou de algumas é verdade, quis ter outras, e fez o possível pra que isso acontecesse, mas algo sempre fez com que não fosse. No fundo elas nem eram pra ele mesmo.

Lica, seguiu os mesmos passos. Passou a curtir seus amigos, pegou um daqui, outro dali e fez a vida seguir em frente na medida do possível. Linda, ela sabia que poderia ter quem quisesse, podia se divertir o quanto quisesse, e o fez. Botou pilha em muito marmanjo por aí, tirou onda, ficou com alguns “escolhidos”, mas sentia, como Deco, que no fundo estava sozinha. Faltava a ambos aquela sensação de estar completo, de acordar num domingo, sabendo que alguém espera pra ir de mãos dadas ao cinema.

PARTE II - Encontros e Desencontros...

Deco conhecia Lica, mas há pouco tempo. Praticamente, de 3 meses pra cá, se viam quase todos os dias, mas nunca conversaram. Dividiam o mesmo espaço físico 5 dias por semana, mas o máximo que haviam dito um ao outro haviam sido palavras de poucas sílabas, estritamente necessárias para manter um relação cordial. Ele reparava nela. Discretamente, secretamente, e só. Acreditava que alguém como ela tinha de ter dono e guardava para si, com exclusividade, os olhares que lançava, tímido, sempre que podia, para memorizar suas feições.

Por sua vez, Lica tinha curiosidade. Havia prestado atenção algumas vezes, mas ele, por estar num posto diferente do seu, parecia inatingível. Alguém para ser apenas admirado. Totalmente fora das possibilidades. Sábio destino, este que alimenta nos corações apenas pequenas fagulhas sedentas pelo combustível que ferve os sentimentos. A procura dos dois continuava, cega e nada promissora. Quanto mais buscavam, menos conseguiam encontrar o que desejavam. Sábio destino, este que coloca tão próximo os nossos verdadeiros objetivos. Este que somente se revela a partir do instante em que paramos a procura e voltamos nossos olhos para nós e para o que está bem debaixo do nariz. As forças do destino começam a agir exatamente neste ponto: quando a busca cessa.

Tinham amigos em comum. E estes começaram a perceber naquele insignificante interesse de ambas as partes, motivo suficiente para organizar, quem sabe, uma operação de resgate. E começaram a botar lenha num lugar perigosamente explosivo. Começaram a instigar a possibilidade de que os dois ficassem juntos. Muito em off, comentavam com Lica e a faziam começar a pensar em algo além de uma respeitosa relação.

Ao mesmo tempo, Deco, sabe-se Deus de onde, resolveu perguntar pros mesmos amigos incendiários, coisas sobre Lica. E se surpreendeu com o que ouviu. Ela não tinha ninguém. Era impossível de acreditar, mas era isso mesmo. E foi o que ele precisou para tomar uma iniciativa.

PARTE III - Apenas um Começo Feliz...

Pediu o número do celular dela e mandou uma mensagem. – “Mas anônima, Deco?” “ Porque isso?”. Já era. Ela respondeu destruindo por completo suas esperanças. Mas ele já havia passado por tanta coisa. Estava curioso. Queria saber. O que poderia acontecer? “Outro pé na bunda?”. Dane-se. Respirou fundo, digitou nova mensagem e assinou. Escolheu o número dela e... “Enviando Mensagem”. Agora ferrou! Fechou os olhos e esperou pelo pior de novo. O pior não veio. Ela respondeu! Toda errada porque jamais poderia imaginar que era exatamente ele quem havia enviado a primeira mensagem. Achou que tinha sido grosseira. Pediu desculpas. Lembrou rapidamente que havia desejado ser ele quem tivesse enviado a mensagem mesmo, mas como ia saber? Não tinha o número dele e além do mais, a mensagem nem estava assinada.

Tolos. Começaram ali mesmo sua história. Encurtaram a discussão sobre as mensagens SMS e decidiram se encontrar. Conseguiram dois dias depois, e de lá pra cá, se viram todos os dias, sem exceção. Saíram, dançaram, conversaram, se conheceram mais e mais, fizeram amor de forma inesquecível, descobriram que têm tanto em comum, que gostam de tantas coisas parecidas, que desejam o mesmo tipo de felicidade, e que querem ficar juntos. A partir daí, cada beijo de “até amanhã”, tem sido como o primeiro... fazendo os cinco minutos de despedida, virarem algumas horas madrugada a dentro... com mais beijos e mais beijos... e um fundo musical de dar inveja a qualquer um...

E ainda dizem que não existe Conto de Fada...

11.18.2005

A química da pegação

Estão os dois naquele momento da noite em que já fizeram tudo de comportado que um casal pode fazer... já rolou aquela conversa pra falar de tudo e de nada, já passearam pela cidade sem rumo e sem opção, já pararam pra tomar um Ovomaltine médio no aeroporto, e agora, discretamente, cada um olha pro seu relógio e se pergunta bem nas internas: "Porra, o que ele(a) tá esperando?"

É a hora da verdade... o mundo se transformará em paraíso numa questão de segundos, desde que um lance quase mágico aconteça entre vocês...

A "prova dos nove" exige, não necessariamente na mesma quantidade ou na mesma ordem, uma certa dose de experiência, uma boa dose de entrega e intenção e, o ingrediente mais intrigante de todos: a química.

Pra resumir, essa "química" está associada diretamente com os sentidos. Tem a ver com o olhar, com o tom de voz, com a forma de tocar, com a percepção dos aromas do outro e com o sabor do beijo, da pele. Parece trivial, mas não é. Nem sempre isso rola com todo mundo, nem sempre rola com a pessoa que você tá a fim e nem sempre rola com a sua namorada. Sad but true, com diria uma música do Metallica. As vezes a gente só finge mesmo ou então se entrega à libido. Isso é uma outra história.

Estamos falando aqui daquele amasso, ou pegação, como preferirem, que faz você saltar do chão e ficar flutuando durante um beijo. Aquele momento em que a barriga fica formigando, o coração palpita mais forte e acelerado, e você entra num estado de dormência que te faz perder a noção de tempo e espaço. Um universo inteiro se cria só pra dar conta do que se passa na cabeça.

Uma pegação que tira o fôlego, que causa sussurros e gemidos, que provoca malabarismos e funciona tão bem quanto uma hora de academia. Aquela que deixa sempre a sensação de "não-pare-por-favor", que acontece em qualquer lugar, no claro, no escuro, com platéia ou não. A pegação que começa tímida e que, como um vulcão, entra em erupção sem medir nenhuma consequência. As mãos passeiam livremente, os corpos querem se fundir num só. Um quer tomar posse do outro. De olhos fechados e zilhões de coisas na cabeça, mas só uma importa realmente: "Pqp... o que é isso? O que está acontecendo comigo?"

Nesse lance de química, rola ir com o perfume dela pra casa, rola guardar o aroma das salivas que há pouco se misturavam. Faz lembrar tudo de novo. Como um DVD, onde se escolhe a exata cena da noite que se quer rever. O fenômeno da pegação intriga porque parece te tirar de ti mesmo e te colocar num momento do tempo que insiste em não avançar, simplesmente porque foi bom pra cacete e relembrar isso, te faz um bem danado.

No final, quando ela entra em casa, você volta pra sua, cheio de sorrisos, cantando a primeira música que toca no rádio do carro, sem pressa de chegar e, se for esperto, manda uma mensagem pro celular dela mostrando o quanto você adorou a companhia. Ela vai estar fazendo praticamente as mesmas coisas que você, e garanto, vai ficar feliz que só olhando pra tela do celular antes de cair no sono, com uma feição de alegria no rosto.

11.14.2005

A efemeridade de um momento eterno...ou vice-versa...

Chegou o dia, e tudo contraria a lógica do tempo. As horas demoram séculos, os segundos, anos. O relógio vai se arrastar, e mesmo antes de começar, este vai ser um daqueles dias intermináveis. Contudo, será sempre por um bom motivo. Dava até pra tentar dormir um pouco mais, mas algo naquela zona pra lá de subconsciente do cérebro ficava ecoando de longe: "É hoje... Caraca! É hoje!". Ansiedade a mil! A cama tenta agarrar, prender, mas é um esforço vão...

E ainda de manhã mesmo, na hora do chuveiro, começa aquela famosa paranóia-parapsicológica-pré-primeiro-encontro: “Pô, como será que vai ser hoje à noite?”; “Hum... seria bom se desse pra adivinhar exatamente o que vai acontecer mais tarde!”. E haja bola de cristal, cartomante, meditação, leitura de mãos e tudo mais que tem direito. A questão, é que nada disso adianta. Na hora, além de tudo acontecer diferente, não se passa nem perto de lembrar das “adivinhações” da manhã. Mais tarde, o apetite vai embora na hora do almoço e os níveis de adrenalina só tendem a aumentar numa escala que beira a catástrofe conforme o ponteiro do relógio vai avançando.

Sempre rola tentar distrair com alguma coisa. Trabalho? Nem pensar. O chefe vai ficar aborrecido, e é capaz até de mandar passar no departamento pessoal porque nada que se tente fazer vai merecer tanta atenção, a menos, é claro, que se trate do evento de logo mais à noite. Dormir pro tempo passar logo? Hum.. é uma tentativa... mas agora, a cama vai parecer que é feita de pedra e a cabeça, um grande redemoinho de imagens, sons, lembranças e desejos.

As possibilidades são muitas, mas, na maioria dos casos, o que vai acontecer mais tarde é que, pra não tremer tanto nas bases, vai rolar aquela Skarloff, ou aquela dose de Red-Black--Blue Label dependendo da grana, ou até mesmo uma boa e velha dose de cachaça pra dar uma moral e fazer o cérebro não ligar pro friozinho na barriga que vai batendo quando a hora se aproxima. Um chiclete definitivamente. Chiclete inibe um pouco a ansiedade, e mantém o cérebro ocupado por algum tempo.

Serão seis camisas antes daquela que vai ser escolhida pra sair; três pares de sapatos antes de calçar o tênis; dez minutos escovando os dentes (façanha que nem as mães conseguem ao longo de uma vida inteira!); meia hora de espelho (e depois dizem que isso é especialidade das mulheres...) arrumando o cabelo; mais meia hora escolhendo a trilha sonora que vai tocar no carro; e uma rápida manobra de volta pra casa depois de já ter saído, porque sair sem passar perfume é um crime inafiançável numa hora crucial como essa, digno até de prisão perpétua.

Então começa a chegar a parte engraçada da história. O tempo, que antes se arrastava, agora está correndo contra. Assim como o trânsito e todos os sinais, que, pra variar, estão vermelhos. Não pega bem chegar atrasado no primeiro encontro. Melhor mesmo, é chegar antes e esperar. Pra quem já esperou o dia inteiro, isso vai ser moleza. A espera quase sempre se estende um pouco mais, porque as mulheres têm um álibi perfeito. Para uma mulher, chegar atrasada num encontro cerca de dez ou vinte minutos, é sinal de charme e deve ser perfeitamente compreendido assim pelos homens. Fica a dica.

Então, a bendita hora chega. O momento mais esperado. Os dois estão frente a frente. Ele está segurando a porta do carro que está aberta pra ela (mulheres, se um homem no primeiro encontro não abrir a porta do carro, fujam!) e na cabeça dele, absolutamente nada, nadinha daquilo que ele passou o dia inteiro arquitetando. Ele cometeu o erro que todos os homens cometem, sem exceção. E não há remédio pra isso. Ele esqueceu da kriptonita de todos os super-homens, e foi arrebatado aos céus em corpo e espírito pela beleza que ela irradia em câmera lenta. Seu sorriso, seu perfume, seus cabelos, seu charme... Ela rouba completamente a atenção daquele minuto pelo qual ele tanto esperou e se preparou. Nocaute. Naquele mísero minutinho ela impera absoluta. Faltam palavras. A garganta seca e os olhos nada mais querem, além de registrar aquela visão. É aí então, que em silêncio, ele deseja de todo coração, que esse momento raptado do tempo seja eterno.

Eterno para sempre.

11.09.2005

Crônica da paradoxia do olhar...

Linguagem sem sons, sem vocábulos, assim é o olhar. Uma porta para os mistérios do eu. O solitário companheiro que capta a sutileza dos momentos mais efêmeros da existência humana. A câmera biológica que internaliza as alegrias, as tristezas, a euforia, a decepção, o êxtase, a dor, a angústia, o sofrimento, a paz, a guerra, e, ao mesmo tempo, irradia sentimentos tão incrustrados na alma, que palavra alguma, em idioma algum, seria capaz de descrevê-los.

Ah, se todo mundo percebesse a importância de um olhar...
Olhares mudam destinos, mudam vidas...
Olhares fazem nascer, fazem morrer...
O simples gesto de olhar, envenena ou remedia, rejeita ou acolhe, atrai ou repulsa, julga, incrimina ou absolve...
Na nossa relação com o mundo e as pessoas, é através dos olhos que toleramos, fraquejamos, fugimos, encontramos, reconciliamos, confiamos, duvidamos, amedrontamos, pacificamos...

Basta um olhar para se apaixonar... para trair...
Basta um olhar para querer... para terminar... para esquecer...

É através dos olhos que nosso espírito se comunica, não através dos lábios.
Palavras se perdem no vento, no tempo, mas não um olhar.
Um olhar verdadeiro é inesquecível... tem vida própria, tem causa própria, tem alvo certo e, mesmo tímido, nunca erra o seu destino...
Olhar é o primeiro gesto ao nascer e último gesto ao morrer.
Olhar é o que nos permite absorver a natureza, as pessoas, a essência e o essencial da vida.

Olhar, não é ver, é enxergar.
Olhar é também doar... o bom e ruim de você.

Lembre-se disso ao abrir os olhos.

11.08.2005

O ensaio apológico do beijo

Apesar das referências mais antigas sobre o beijo, datarem de 2.500 a.C. em esculturas nas paredes dos templos de Khajuraho, na Índia, tenho a sensação de que desde que mundo é mundo existe o beijo. Por que? Simples. Beijar é bom que só. Vai dizer que não é?

Beijar é muito mais do que a gente pensa. É usar os nossos sentidos. Todos eles de uma só vez. É ver a pessoa que beijamos, é sentir o seu cheiro, o seu gosto e sentir o toque dos lábios e da língua, sem falar das mãos, da pele...

O beijo é uma manifestação dos nossos sentimentos e revela muita coisa. O calor da paixão, a segurança do amor, a serenidade da afeição, e também a indiferença de uma iminente separação entre duas pessoas.

Nada melhor do que beijar e ser correspondido. Sim, porque beijo de verdade tem interação. Nele, rola uma sintonia, uma química que faz o coração bater um pouco mais rápido e forte, que faz a respiração faltar e é capaz até mesmo de fazer o tempo parar. Um minuto que dura toda a eternidade. Assim é um beijo sincero. Deixa marcas profundas na mente e provoca, de novo, as mesmas sensações quando lembrado.

Durante um beijo, é fundamental deixar fluir. Ouvir as melodias, os compassos que marcam a parte que cabe a cada um dos que se beijam. Como uma dança, como uma sinfonia. Beijo é movimento, é entrega, é doação. Beijar é se desprender, é sair do corpo e ser completamente dominado por uma sensação de "querer mais". É fechar os olhos e ainda assim enxergar. É escutar os sussurros mais sutis da alma alheia e voltar pra casa anestesiado, flutuando, como uma bolha de sabão, livre, leve e solto... ao sabor do vento.

É... deu até vontade de beijar...

Pra mim, ainda falta a pessoa, falta a química...
Ah! Pra você, não!? Então vê se beija logo!
Eu não perderia nem mais um segundo se fosse você.

=*

11.06.2005

Ando devagar porque já tive pressa...

Post musical que dedico a todos os meus amigos.
Atenção para a letra! Tem muito a nos ensinar!
Grande abraço. Estarei aqui sempre que precisarem.

Tocando em frente

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei
Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs,
é preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir,
é preciso a chuva para florir.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha, e ir tocando em frente
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
de estrada eu sou
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz
Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz.

11.02.2005

Sentado, esperando, desejando...

Todo mundo, em algum ponto da nossa breve existência, já resolveu gostar de alguém e não ser correspondido... Ah, não negue! Isso é tão certo quanto 2+2=4. E se você tá "se achando" e dizendo que ainda não passou por isso, ou que nunca vai passar, não se preocupe, sua hora vai chegar...

É... e você vai fazer de tudo pra demonstrar que gosta da pessoa, que quer ela ao seu lado... vai até fazer papel de bobo pra tentar um minutinho da atenção ou alguns segundos perto da sua escolhida. Vai pra lugares que nunca sonhou ir. Vai fazer coisas que nunca faria no seu "estado-psicológico-normal". Vai assistir comédias românticas no cinema, vai olhar mais os pores-de-sol, vai querer mandar flores, vai propor um jantar à dois, vai abrir toda hora o seu hotmail pra ver se chegou aquela mísera mensagem que você tanto queria que chegasse... Seu mundo vai viver em função disso, prepare-se.

Mas tem uma coisa... (E o Jack Johnson tem razão ao questionar essa onda toda.)

Uma hora a gente meio que "cansa" de levar porta na cara, cansa de ficar "Sittin, Waiting, Whishing..." , e aprende que gostar de alguém não faz essa pessoa necessariamente gostar de você também. É foda, mas você aprende que não pode ficar "esperando" a vida inteira por alguém que não corresponde a tudo que você sente, quer e faz por ela.

Preste bem atenção! Você vai perceber que todas as músicas que você aprendeu a gostar e dançar por causa dessa pessoa, que sair com os amigos dela só pra estar por perto, que ficar triste e deprimido por causa das negativas, que ficar bancando "o bobo" quando ela parece "dar bola" pra você e na verdade fica com outro, simplesmente não vale a pena pra você!

Você vai entender que, sentar, esperar e desejar alguém, tem limite! E nunca mais vai deixar ninguém extrapolar esse seu limite. Aliás, depois de passar por tudo isso, escreva o que eu digo... você vai se amar muito mais, vai se cuidar muito mais, vai aprender muito mais e, se por acaso for passar por tudo de novo, vai perder muito menos do seu tempo, do que todas as vezes anteriores...

Bom feriado e boa semana a todos.

Sitting, Waiting, Wishing - Jack Johnson

“Well I was sitting, waiting, wishing
But Lord knows that this world is cruel
I ain't the Lord no I'm just a fool
Learning loving somebody
don't make them love you
Must I always be waiting, waiting on you?
Must I always be playing, playing your fool?
I sang your songs, I danced your dance
I gave your friends all a chance
But Putting up with them wasn't worth never having you
I can't always be waiting, waiting on you
I can't always be playing, playing your fool”


Trechinhos da música pra vocês pensarem no que eu disse.