11.14.2005

A efemeridade de um momento eterno...ou vice-versa...

Chegou o dia, e tudo contraria a lógica do tempo. As horas demoram séculos, os segundos, anos. O relógio vai se arrastar, e mesmo antes de começar, este vai ser um daqueles dias intermináveis. Contudo, será sempre por um bom motivo. Dava até pra tentar dormir um pouco mais, mas algo naquela zona pra lá de subconsciente do cérebro ficava ecoando de longe: "É hoje... Caraca! É hoje!". Ansiedade a mil! A cama tenta agarrar, prender, mas é um esforço vão...

E ainda de manhã mesmo, na hora do chuveiro, começa aquela famosa paranóia-parapsicológica-pré-primeiro-encontro: “Pô, como será que vai ser hoje à noite?”; “Hum... seria bom se desse pra adivinhar exatamente o que vai acontecer mais tarde!”. E haja bola de cristal, cartomante, meditação, leitura de mãos e tudo mais que tem direito. A questão, é que nada disso adianta. Na hora, além de tudo acontecer diferente, não se passa nem perto de lembrar das “adivinhações” da manhã. Mais tarde, o apetite vai embora na hora do almoço e os níveis de adrenalina só tendem a aumentar numa escala que beira a catástrofe conforme o ponteiro do relógio vai avançando.

Sempre rola tentar distrair com alguma coisa. Trabalho? Nem pensar. O chefe vai ficar aborrecido, e é capaz até de mandar passar no departamento pessoal porque nada que se tente fazer vai merecer tanta atenção, a menos, é claro, que se trate do evento de logo mais à noite. Dormir pro tempo passar logo? Hum.. é uma tentativa... mas agora, a cama vai parecer que é feita de pedra e a cabeça, um grande redemoinho de imagens, sons, lembranças e desejos.

As possibilidades são muitas, mas, na maioria dos casos, o que vai acontecer mais tarde é que, pra não tremer tanto nas bases, vai rolar aquela Skarloff, ou aquela dose de Red-Black--Blue Label dependendo da grana, ou até mesmo uma boa e velha dose de cachaça pra dar uma moral e fazer o cérebro não ligar pro friozinho na barriga que vai batendo quando a hora se aproxima. Um chiclete definitivamente. Chiclete inibe um pouco a ansiedade, e mantém o cérebro ocupado por algum tempo.

Serão seis camisas antes daquela que vai ser escolhida pra sair; três pares de sapatos antes de calçar o tênis; dez minutos escovando os dentes (façanha que nem as mães conseguem ao longo de uma vida inteira!); meia hora de espelho (e depois dizem que isso é especialidade das mulheres...) arrumando o cabelo; mais meia hora escolhendo a trilha sonora que vai tocar no carro; e uma rápida manobra de volta pra casa depois de já ter saído, porque sair sem passar perfume é um crime inafiançável numa hora crucial como essa, digno até de prisão perpétua.

Então começa a chegar a parte engraçada da história. O tempo, que antes se arrastava, agora está correndo contra. Assim como o trânsito e todos os sinais, que, pra variar, estão vermelhos. Não pega bem chegar atrasado no primeiro encontro. Melhor mesmo, é chegar antes e esperar. Pra quem já esperou o dia inteiro, isso vai ser moleza. A espera quase sempre se estende um pouco mais, porque as mulheres têm um álibi perfeito. Para uma mulher, chegar atrasada num encontro cerca de dez ou vinte minutos, é sinal de charme e deve ser perfeitamente compreendido assim pelos homens. Fica a dica.

Então, a bendita hora chega. O momento mais esperado. Os dois estão frente a frente. Ele está segurando a porta do carro que está aberta pra ela (mulheres, se um homem no primeiro encontro não abrir a porta do carro, fujam!) e na cabeça dele, absolutamente nada, nadinha daquilo que ele passou o dia inteiro arquitetando. Ele cometeu o erro que todos os homens cometem, sem exceção. E não há remédio pra isso. Ele esqueceu da kriptonita de todos os super-homens, e foi arrebatado aos céus em corpo e espírito pela beleza que ela irradia em câmera lenta. Seu sorriso, seu perfume, seus cabelos, seu charme... Ela rouba completamente a atenção daquele minuto pelo qual ele tanto esperou e se preparou. Nocaute. Naquele mísero minutinho ela impera absoluta. Faltam palavras. A garganta seca e os olhos nada mais querem, além de registrar aquela visão. É aí então, que em silêncio, ele deseja de todo coração, que esse momento raptado do tempo seja eterno.

Eterno para sempre.

7 comentários:

  1. Nossa Be, + q coisa + linda foi essa hen?!

    Foi tão perfeita a sua descrição q até parece q assisti a um filme de alguns minutos!!!

    Esta sua parte... euzinha não conhecia mesmo, nem fazia idéia.

    Já fiquei + ainda sua fã :)
    PARABÉNS...

    Bjoks no coraçãozinho e fica com Deus :*s

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  2. Puxa, muito bom!
    =]

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  3. Vamos lá...
    Mais uma vez você me deixa sem palavras. A descrição tá impecável.

    Bom mesmo é saber que os homens são tão ansiosos quanto nós, mulheres.

    Eu pelo menos começo a fantasiar tudo a partir da hora que o encontro é marcado. Aí rola shopping, salão, reunião com as amigas... Sem falar nas noite mal dormidas, no estresse, no frio na barriga...

    E na hora agá, sai tudo diferente. Você se acha gorda com a blusa que tinha escolhido, esquece as frases que tinha ensaiado... E ainda sim, sai tudo melhor que o esperado [ou não!].

    Beijos amore!

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  4. E quando vc finalmente consegue beijá-la....

    Filha da puta tem um mau hálito maldito!!!

    vaaaalame me livra dessa fossa!

    (aquele q tira todo o romantismo do texto)

    Adeus Sonic!

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  5. Tb estou sem palavras, apenas com a descrição de tudo que vc escreveu na minha mente!
    Parabéns pleo texto...

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  6. Danielle Martins4:04 PM

    não sei se já te falei, mas vc arrebenta.. Admiro vc, todos os seus textos e citações estão 10!

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  7. darleypinheiro@hotmail.com1:08 PM

    Professorrrrr que isso!?

    Se vc aceita sugestão, no próximo Festival do Minuto inscreva-se por favor, prometo que serei uma das milhares de pessoas que assistirão a seu pequeno filmeto....hehehe.

    Beijãoooooo.

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