12.10.2008

O que gastronomia tem a ver com relacionamento?


Outro dia eu tava em casa, sozinho, naquele sabadão, dando uma de “dono-de-casa”. (Sabe? Aqueles dias que a gente liga o som bem alto e coloca aquelas músicas inspiradoras pra mandar ver na faxina?) Depois de varrer a tudo e passar pano, recolher o lixo e lavar a roupa suja, fui tomar uma senhora “chuveirada” e me preparar para fazer aquele almoço merecido.

Foi então, que, entre um gole e outro de um bom vinho argentino (comprado, acredite, por apenas R$ 13,00 no supermercado), enquanto procurava na geladeira e no armário os ingredientes pro rango, que comecei a ter um daqueles momentos de iluminação que a pessoa tem vez ou outra na vida...

Parei pra pensar e me dei conta de uma parada muito louca: cozinhar tem tudo a ver com namorar, ficar, casar, se enrolar, enfim, com as questões de relacionamento que todos nós vivemos ao longo da nossa vida. Vamos ver se eu consigo deixar as coisas melhor explicadas...

Primeiramente, é preciso definir o que você quer... Vai ser apenas um lanche rápido, ou uma obra de arte da gastronomia? Sim, porque essa escolha vai determinar tanto o seu grau de envolvimento com a cozinha quanto o seu empenho em fazer com que tudo dê certo.

Então, qual é a sua? Tá numa de só ficar, curtir, beijar ou tá procurando algo mais duradouro?

O lanchinho requer, nada mais, nada menos, que um pouco de boa vontade e criatividade de sua parte. É dar uma olhada na despensa e na geladeira. Vale queijo, presunto, salsicha, salame, conserva, alface, ovo frito, o bife, a carne assada ou o “boi ralado” que sobrou de ontem, peito de frango, resto de cebola e tomate, tomate seco, sei lá... Seja inventivo e descubra que, pra matar a fome, basta abrir a boca. (perdoem a duplicidade de sentido, que, a essa altura é inevitável!). Não esqueça dos sempre bem-vindos catchup e maionese e se gostar, pimenta.

No entanto, se você já está numa relação estável, com um período de duração um pouco mais extenso (quando os lanchinhos já não devem mais coexistir com você...), talvez seja importante aprender com a gastronomia algumas dicas interessantes para aplicar no seu dia-a-dia. Então pensemos num jantar à dois.

Assim como numa relação, preparar um jantar à dois, também requer conhecimento, sensibilidade, paciência, experiência, senso apurado, criatividade, dentre outras “cositas más” que, infelizmente, vamos deixando de lado com o passar do tempo e conforme a gente vai “se acostumando” com a outra pessoa.

Cozinhar deve ser, antes de tudo, uma atividade prazerosa. Você precisa gostar daquilo que vai fazer, se deixar envolver e curtir cada momento. (Como, aliás, deveria ser também quando você está com alguém especial, alguém de quem você gosta de verdade.)

Escolha o que vai fazer e selecione com carinho todos os ingredientes. Deixe suas mãos sentirem o que você está fazendo. O corte da carne e dos vegetais, com firmeza e ao mesmo tempo delicadeza. Permita-se sentir o cheiro de cada tempero. Descubra como cada um deles acrescenta e modifica aos poucos a cor, o aroma, a consistência, o visual. Saiba o momento certo de intervir. De acrescentar água, sal, azeite, de baixar o fogo e regular a temperatura. Aprenda a misturar, a mexer na panela. Idealize a apresentação final. A mesa arrumada. O vinho. As taças. Os talheres. Depois, o melhor. O prazer de ver quem você convidou, fechando os olhos com a primeira garfada e adorando tudo que você fez.

Amigos, um relacionamento a dois não tem que ser assim? Não é o que a gente sempre deseja?

Não se trata de uma receita, mas uma experimentação diária, na qual você deve fazer o máximo para dar e receber, sentir e ser sentido, amar e ser amado. Precisa ser vivenciado com dedicação, com esmero. Você precisa se permitir essas coisas. Experimente! Comece a treinar na cozinha. Mais tarde você acaba levando seus conhecimentos culinários pro seu relacionamento. Que tal?

Ahhh, ia esquecendo...

Não se esqueça de usar pimenta de vez em quando. No prato ou na relação, sempre rola deixar as coisas quentes e apimentadas de vez em quando. Heheh.

11.11.2008

Sobre a diferença entre cair e descer...


"Morrer em nós mesmos é essencial se verdadeiramente ansiamos com todas as forças da alma harmonizar as duas naturezas: Divina e Humana em cada um de nós." Samael Aun Weor

Eu tenho me questionando bastante sobre uma palavrinha, cujo emprego é muito apreciado por muitos (e, por favor, não negue, por você também...) em diversos aspectos e diferentes circunstâncias: a perfeição.

Tornou-se uma busca doentia, uma verdadeira obsessão, essa coisa de querer que tudo seja simplesmente perfeito. A gente quer o emprego perfeito, o relacionamento perfeito, o corpo perfeito, o cabelo perfeito, o carro perfeito, a casa perfeita, o (a) namorado (a) perfeito (o), os amigos perfeitos, enfim, uma vida PER-FEI-TA.

Nada contra. Eu também sou assim. Quem não é? O que acho errado é viver exclusivamente em função disso e esquecer que o maior barato de aproveitar a chance de estar neste planeta, é poder, exatamente, lidar com as imperfeições; dos outros, mas principalmente, com as nossas próprias imperfeições (coisa que teimamos em negar, ou fingimos que não existe, pra ficar mais fácil).

Onde quero chegar? Simplesmente no fato de que esse desejo de perfeição é muito injusto. Queremos que tudo seja perfeito, mas, e nós? Nós somos perfeitos (ou tentamos ser, pelo menos) para os outros?

Quer que eu prove? Então tá...

Para o dicionário, perfeição é o conjunto de todas as qualidades; a ausência de quaisquer defeitos; O máximo de excelência que alguém ou alguma coisa pode chegar; primor, correção; O maior grau de bondade ou virtude a que pode alguém chegar, pureza; O mais alto grau de beleza a que pode chegar alguém ou algo.

Perguntinha básica:

Vendo pelo lado do dicionário, você se considera perfeito?

Ah, não?

Então como quer que tudo e todos sejam?

Fiz esse post, pra que a gente sempre se lembre que errar, faz parte da nossa natureza. Sofrer uma queda, é uma forma de se fortalecer e aprender com os erros, não importam quais sejam. Não é justo apontar o dedo e julgar, blasfemar, fazer pouco caso da vida, ficar insatisfeito. Todos erramos. Não somos perfeitos. Todos caímos.

Descubra que a vida se faz disso, e tudo fica mais fácil. Ganhamos serenidade quando somos capazes de compreender que nem tudo é como queremos. A perfeição deve ser uma meta, mas nunca uma paixão, ou uma condição. Cair, errar, faz parte do jogo, mas não é o jogo em si. Somos seres efêmeros demais para exigir aquilo que nem nós mesmos somos capazes de oferecer.

Mas cuidado, porque cair é bem diferente de descer. Cair é imprevisto, é ocasião. Descer é livre-arbítrio, é estado. Nem todos os anjos são maus porque caíram, mas todos os que desceram, o são. Pense nisso.

9.05.2008

A Máquina do tempo...


Nosso Mundo (Barão Vermelho)

Se eu ainda soubesse
Como mudar o mundo
Se eu ainda pudesse
Saber um pouco de tudo
Eu voltaria atrás do tempo

Eu não te deixaria
Presa no passado
E arrumaria um jeito
Pra você estar ao meu lado de novo
Eu voltaria no tempo

Pra voltar pra ontem
Sem temer o futuro
E olhar pra hoje
Cheio de orgulho
Eu voltaria atrás do tempo
Eu voltaria atrás
Atrás do tempo

Os nossos erros
Seriam apagados
Nossos primeiros desejos
Ressuscitados
E de novo eu voltaria no tempo

Eu não te deixaria desistir tão fácil
E não te negaria nenhum abraço de novo
Eu voltaria no tempo

E a gente fez
Nosso futuro
Quase quebrando
O nosso mundo
O nosso mundo
Nosso mundo

Post musical que reflete em 100%, o que sinto neste momento da minha vida.

É ler e interpretar.

6.03.2008

SOBRE COMEÇO, MEIO E FIM...


É estranho voltar a escrever depois de tanto tempo... Mais estranho ainda, é voltar a ler dois anos depois, tudo que eu mesmo havia postado, mas acho que é assim mesmo que tinha que ser...

É como se uma força maior que a gente não sabe ao certo de onde vem, trouxesse à memória alguns capítulos da vida que a gente teima em esquecer. Com o tempo, não nos damos mais conta do quão cíclica é a vida. Um vai e vem que faz tornar a acontecer, cedo ou tarde, tudo o que já achávamos ter vivido antes. Foi nessas circunstâncias que me vi hoje... Foi assim que vim parar aqui, de novo...

Hoje, subitamente e sem nenhuma possibilidade de controle emocional, fui tomado a sentir algo que tive o desprazer de sentir umas poucas vezes na vida (dica: começa com “cóle” e termina com “ra”).

As pessoas se esforçam em nos tirar do sério. Ainda mais quando agem como se nós fôssemos completos imbecis. Como se não tivéssemos o mínimo de discernimento. Como se fôssemos plantas, não gente. E olha que eu sempre fui quase um monge budista, um verdadeiro lord inglês. Odeio perder a cabeça, mas quando o faço, faço com aquela velha classe suíça (adquirida nos melhores estábulos, claro.) Ah, e tem um detalhe: acabei descobrindo que a internet é uma arma letal pra gente descarregar bem no peito de em quem nos faz sentir coisas que não temos que sentir e que não merecemos sentir.

Soa como desabafo, e de certa forma é. Sou humano. Tenho sangue (e latino ainda por cima!). Mas preciso deixar claro o porquê disso tudo, e tem a ver com começo, meio e fim. A gente ama, mas tem que se amar mais, sempre...

O começo, todo mundo sabe como funciona. Paixão, excitação, desejo, saudade, respeito (quando eu falar do fim, volto a esse ponto de novo), vontade de estar junto, dedicação e vários et ceteras.

O meio geralmente dá uma esfriada, é normal, mas deveria sempre se transformar num sentimento maduro, de cuidado, de atenção, de confiança, de respeito (ih, ele de novo!). Se a gente passa por cima das diferenças e das burradas que os dois fazem e supera tudo isso, perdoando de forma mútua, corre um sério risco de virar o tão falado amor. Mas isso depende de tantos fatores que levaria uma postagem inteira (e prometo que ainda vou fazer) sobre isso.

Vamos ao fim... Pra simplificar: se acaba o amor, acaba tudo. Mas se acaba, além do amor, o respeito, com todo o respeito, então fudeu!

Não sei como a gente é tão burro a ponto de deixar as coisas chegarem a um extremo tão grotesco. Geralmente, o outro sinaliza (e muito) que acabou, mas a teimosia faz a gente insisir e tentar enxugar o oceano. A gente mesmo, no fundo sabe que não é mais há muito tempo, mas se permite ouvir a minha frase preferida: "Não vê que estamos fazer dar certo, algo que desde o começo nunca deu certo?". Ahahahahaha... Eu rio, porque estou ficando mestre em ouvir isso. Mas nada pode ser pior do que ser acusado de falta de dedicação e ainda ter que tomar conhecimento dos planos sórdidos de "curtir a vida" (como se nunca tivesse sido feliz com você), "fazer o que der vontade" (todo mundo esquece nessa hora de tantas loucuras que são feitas juntos), "vou cuidar da minha vida" (parece que você, o namorado imbecil, nunca se preocupou com ela).

Tudo isso, pra fazer você se sentir a pior das criaturas, o culpado de tudo, sentenciado a ter peso na consciência pro resto da vida e quem sabe procurar um psicanalista e fazer análise.

Mas a verdade por trás dos fatos é apenas uma: sem amor, é possível ao menos coexistir, sem respeito, não.

Se tudo tem começo, meio e fim... Então fim...

PS: A foto dol post é uma Flor de Lis, referida na música do Djavan... Um pedaço da letra, está no começo do blog.